
O Natal está a chegar, é tempo de fazer alguns docinhos. Fiz areias que já estão no forno a cozer.
Para evitar que se queimem, sento-me em frente do fogão para controlar a sua cozedura. Lógico, sempre que me sento a minha gata Eva salta imediatamente para o meu colo, é sossegadinha e a sua calma deixa-me meditar. No tabuleiro, as areias, há pouco informes estão ficando arredondadas e perfeitinhas, comparei-as com as crianças, que no calor e amizade dos pais, também se deixam modelar. E todas estas reflexões para eu poder compreender porque gosto tanto de música clássica.
Lá em casa, os meus pais conversavam e ouviam boa música, por vezes um trauteava qualquer melodia para verificar se o outro adivinhava o seu nome e o do autor. À tarde, muitas vezes, sentavam-se no escritório a ouvir óperas nos velhos discos de vinil. E nós, raparigas, ao subir ou descer as escadas da nossa velha casa ou ao percorrer os seus longos corredores, apanhávamos alguns trechos das músicas que pairavam no ar.
Mais tarde casei, nasceram filhos e a música já era outra. Algumas raras vezes que apanhava na televisão, algum programa musical mais selecto, logo o meu marido perguntava-me: - estou na oficina do mestre Carlos?
Mas, marido na eternidade, filhos casados, estou livre para escolher os programas que mais aprecio e vingo-me assim.
Graças ao canal Youtube tenho ao meu dispor tudo o que gosto e aprecio ouvir. Sempre acompanhada pela Evinha passo tempos indeterminados a "saborear" os belos acordes que incrívelmente sairam da alma dos compositores. Estava, uma vez extasiada com a 5ª Sonata de Beethoven , tum tum tum tum, a gatinha acordou e olhou para mim intrigada. Evinha disse-lhe eu - não te perturbes que é o destino a bater à porta deixemo-lo entrar, tum tum tum tum.
Ao som destas maravilhosas melodias, sinto-me como o rapaz da história infantil que subiu, subiu, bem ao alto do feijoeiro, que lhe nascera no quintal, eu também trepo, trepo e lá no alto deixo-me balançar, prosaicamente, com os feijões a me roçarem o rosto.
Voltando à minha mãe, que me conduziu por este caminho, ela gostava não só de ouvir, mas tinha gosto em transmitir, e nesse sentido, levava por vezes, para a cozinha o antigo gramofone e respectivos discos, numa tentativa para cativar as criadas para a boa música. As pobres ignorantes que só conheciam as músicas das bandas dos arraiais, no entanto, ouviam pacientemente a lição cultural que lhes estava a ser dada.
Anos mais tarde, encontrei uma antiga criada da minha mãe, que me disse: Que saudades eu tenho da Sª. D. Dora e das músicas que nos ponha a ouvir, Credo! Abrenúncia.!
Eu própria, tentei uma vez, levar as minhas netas pequenas a um concerto ao Centro de Congressos, o programa era convidativo - Zarzuelas e bailados espanhóis. A minha neta mais pequena, foi ouvindo, foi ouvindo calmamente e por fim exclamou: Avó, tenho fome! Respondi-lhe: Minha filha, para um concerto não é costume trazer a cesta do pic-nic.
Maria80
Para evitar que se queimem, sento-me em frente do fogão para controlar a sua cozedura. Lógico, sempre que me sento a minha gata Eva salta imediatamente para o meu colo, é sossegadinha e a sua calma deixa-me meditar. No tabuleiro, as areias, há pouco informes estão ficando arredondadas e perfeitinhas, comparei-as com as crianças, que no calor e amizade dos pais, também se deixam modelar. E todas estas reflexões para eu poder compreender porque gosto tanto de música clássica.
Lá em casa, os meus pais conversavam e ouviam boa música, por vezes um trauteava qualquer melodia para verificar se o outro adivinhava o seu nome e o do autor. À tarde, muitas vezes, sentavam-se no escritório a ouvir óperas nos velhos discos de vinil. E nós, raparigas, ao subir ou descer as escadas da nossa velha casa ou ao percorrer os seus longos corredores, apanhávamos alguns trechos das músicas que pairavam no ar.
Mais tarde casei, nasceram filhos e a música já era outra. Algumas raras vezes que apanhava na televisão, algum programa musical mais selecto, logo o meu marido perguntava-me: - estou na oficina do mestre Carlos?
Mas, marido na eternidade, filhos casados, estou livre para escolher os programas que mais aprecio e vingo-me assim.
Graças ao canal Youtube tenho ao meu dispor tudo o que gosto e aprecio ouvir. Sempre acompanhada pela Evinha passo tempos indeterminados a "saborear" os belos acordes que incrívelmente sairam da alma dos compositores. Estava, uma vez extasiada com a 5ª Sonata de Beethoven , tum tum tum tum, a gatinha acordou e olhou para mim intrigada. Evinha disse-lhe eu - não te perturbes que é o destino a bater à porta deixemo-lo entrar, tum tum tum tum.
Ao som destas maravilhosas melodias, sinto-me como o rapaz da história infantil que subiu, subiu, bem ao alto do feijoeiro, que lhe nascera no quintal, eu também trepo, trepo e lá no alto deixo-me balançar, prosaicamente, com os feijões a me roçarem o rosto.
Voltando à minha mãe, que me conduziu por este caminho, ela gostava não só de ouvir, mas tinha gosto em transmitir, e nesse sentido, levava por vezes, para a cozinha o antigo gramofone e respectivos discos, numa tentativa para cativar as criadas para a boa música. As pobres ignorantes que só conheciam as músicas das bandas dos arraiais, no entanto, ouviam pacientemente a lição cultural que lhes estava a ser dada.
Anos mais tarde, encontrei uma antiga criada da minha mãe, que me disse: Que saudades eu tenho da Sª. D. Dora e das músicas que nos ponha a ouvir, Credo! Abrenúncia.!
Eu própria, tentei uma vez, levar as minhas netas pequenas a um concerto ao Centro de Congressos, o programa era convidativo - Zarzuelas e bailados espanhóis. A minha neta mais pequena, foi ouvindo, foi ouvindo calmamente e por fim exclamou: Avó, tenho fome! Respondi-lhe: Minha filha, para um concerto não é costume trazer a cesta do pic-nic.
Maria80
2 comentários:
Bonito texto!
Eu não gosto muito de música clássica, mas doro gatos!!!tb serve, não serve???Bjinhos avó!!!
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